quarta-feira, 20 de julho de 2011

Todos os dias, todas as manhãs....




Todos os dias eu me lembro de você. De sua alegria, de seus causos, de seus passarinhos engaiolados aprendendo a cantar ouvindo fitas cassete. A casa ficou silenciosa demais. Já não escutamos todos os sons juntos, dos pássaros, de seu assobio constante, da tv ligada alto mesmo sem ninguém na sala. Onde você está? Hoje é seu aniversário, queria te abraçar, te dar um beijo, cortar seu cabelo com máquina, rir. Fazer festa. Juntar a família num sorriso. Ahh, Totoque, meu querido. Saudade demais hoje.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Porque voce não verá, meu lado ocidental

O Cappetah, agora a grafia é esta, segundo ele, está aqui. Chegou no domingo, de surpresa, prá eu ajudar a fazer uns arranjos no figurino de sua nova peça.
Trouxe um bacalhau, muita animação e em cinco minutos tinhamos uma festa formada, com as amizades daqui, Stella Guimarães e Andrea Brandão.
Uma farra boa.
Sempre é assim, quando nos encontramos. Gentil, forte e melhor cozinheiro de todos, Geraldo Magela, o cappetah, é meu amigo que sabe navegar nas artes do teatro e da literatura, com intensidade e coragem.
Ficamos muito tempo sem nos encontrar fisicamente, mas nossa irmandade é tanta que não parece. Tomamos o fio de onde paramos na antiga meada e seguimos.
Varamos noite batendo de frente em pequenas coisas, em pequenos gestos.
Varamos a vida sabendo que podemos sempre contar com a amizade e o carinho um do outro. Daqui a pouco ele vai começar a falar aqui.
Porque ele sim, sabe o que e como falar.
Eu? só tenho amigos assim, caros e importante pro meu coração.
Necessários prá seguir viagem.
Mas ele precisa ir embora rápido, nesta semana, me aposentei das panelas e já engordei uns bons kilos!

sábado, 26 de março de 2011

Um pé na soleira e um pé na estrada....




Tenho que me lembrar de anotar coisas que quero contar, surgem momentos tão belos de minha vida, de minha familia, em minha memória, tenho que escrever prá não esquecer.

Como a festa do casamento de Galego. Quando Fatinha voltou a aparecer em nossa vida, desta vez para nunca mais sair.

Eu morava na Cidade Nova, em Belo Horizonte e tive uma crise com o Charles, braba. Juntei os terecos, todos, fotos, panelas e filhos (um fora e outro na barriga) e fui morar num barraco na Floresta, dois dedos de distância de Santa Tereza. Não sei porque, a rua se chamava Galba Veloso, que nem o hospital dos loucos. O barraco em questão não era mesmo um barraco, era uma casinha miúda, que um cómodo dava dentro do outro e o banheiro, mínimo, ficava fora de casa. Mas tinha quintal, pé de figo, goiaba, espinafre, canteiros e lugar para uma piscina Regam mil litros de plástico azul. Joguei o resto do forro de bambu no chão, pintei as paredes de branco, janelas e portas de azul colonial e comprei uma porta pro banheiro, que a outra era só metade, comida tinha sido pelos cupins. Um lugar gostoso e simpático. Ficávamos, eu , Rafael e minha barriga, sós e juntinhos ali naquele lugar mágico. Cantava prá eles, cantava prá mim e tentava forças para segurar a barra . Charles foi vindo, de mansinho, fazia visitas, trazia coisinhas, deixava coisinhas , ia e vinha e depois ficou para sempre. O apartamento da cidade Nova vendido e residência definitiva na Galba Veloso, a dois passos da Maternidade Santa Fé! Como toda vida, eu ficava em casa e não tinha muito contacto com vizinhos. Quando enfim minha barriga ficou tão enorme que já era hora do menino nascer, Mário, fui quase rolando prá Santa Fé, de onde saí dois dias depois como se nem tivesse parido, enorme fiquei nesta gravidez.

Cheguei em casa com Menininho novo lindo, dia seguinte resolvi que era hora de colocar uma cinta p o corpo começar a voltar ao normal. Salvação! Quando a bicha apertou, começou uma hemorragia bravissima e voltei ao hospital onde fiquei quase quinze dias, com infecção pós parto que quase me levou embora deste mundo.

Então, toda esta lenga lenga é prá contar como conheci Fatinha.

Uma japonesa, filha de portuguesa, que morava na casinha de cima da minha, e que eu nunca nem tinha visto na minha vida. Lá estava eu no hospital, toda cheia de fios e agulhadas prá todo lado, quando me chega a figura, fazendo visita, contando que era a vizinha de cima, tinha uma filha, pererê, pereprê.... Fiquei meio surpresa. Afinal, pra´que a visita ? a gente nem se conhecia.... Bom, resumindo, saí do hospital depois daquele tempo, meio fraca, abalada, físico e emocionalmente, com Bebê lindo ,gordinho, chorão prá tomar conta.

D e Vizinha viramos amigas, confidentes, irmãs. Comadres não porque nossos filhos todos já tinham nascido.

Tempos depois fiquei sabendo que: Odete, a portuguesa mãe de Fatinha, tinha mandado a moça me visitar no hospital com o seguinte argumento e sotaque.

-Fatema! A vizinha do lado tá que morre não morre. Vai llá, antes que algo aconteça!!!!!!!!!


Isto tudo eu lembrei quando lembrei do casamento de Galego.

Tinha um tempão que a gente não se via. Eu e Fatinha mudamos cada uma prum lado e nunca mais que nos encontramos, apesar de sempre sabermos noticias uma da outra. Naquele dia da festa de despedida de solteiro de Galego, Rosinha tinha encontrado com Fatinha e pegamos o telefone e ela veio. Veio mesmo! Prá ficar. Tomou umas, deu uns beijos fim-de-noite em Bernardo, disse que estava querendo é viver sozinha que não queria mais relacionamentos e papapá, pepepé, estão juntos até hj.!!!! Gostam de fazer caminhada domingo 6 da manhã, viajar no verão prá sul da Bahia, trabalhar juntos....

Enfim, destino é coisa muito louca!

Quando nasceu minha neta Luiza, nos tornamos comadres. assim, quase, porque é a madrinha de Luiza. E somos da mesma familia de amor.

domingo, 6 de março de 2011

Acabou o nosso carnaval....

Sempre gostei de carnaval. Muito. Adorava me fantasiar, beber todas e sair pulando feito doida no salão, depois nas ruas da vida. Não sei onde se deu a ruptura. Não achei mais graça. Assim como não acho mais graça em muitas coisas que as pessoas que conheço pensam espetaculares. Minha interiorização é tão grande ou o medo de sair da zona de conforto, é tão grande, que não me movo. Nem para frente, nem para o alto. Só fico aqui, cada vez mais aqui. E se nadie viene, fico mais só. Cada dia.
Não que isto me incomode. Eu até gosto de ficar sozinha. Gosto e ao mesmo tempo me causa uma grande inquietação ficar sozinha.
E preciso tomar decisões, grandes decisões. Mas uma corrente me alcança e prende. Me deixa sem gesto, sem força.
Queria voltar, mas como disse o Poeta, voltar prá onde, se o onde não há? Desaprendo coisas que sabia sempre. No lugar delas vai ficando o vazio. Das coisas que foram passadas, que se foram e são passado. De pessoas que já não existem mais. De momentos em que me acreditei feliz. Me acreditei triste. As crianças viraram adultos estranhos. A cidade, embora pequena, já não reconheço, nem conheço.
Reflexões de carnaval molhado, com gosto do mofo das terras mineiras.
Saudade de mim. Eu mesma uma estranha...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Como un musguito en la piedra y si, si, si


Me apaixonei perdidamente por estes dois. Uma moça bonita, nova, tranquila. Veio trabalhar na Vale. Por um empurrão do destino conheceu minha irmã e através dela nos conhecemos também. Uma gracinha. Voz mansa, com inconfundível sotaque norte mineiro, apesar de ter herdado genéticamente o sotaque: Belorizontina é. . .
Tempos depois conhecemos o namorado. Sidnei. Inteligente, simpático, voz amiga e doce. Foi pará Cuba estudar medicina e quando voltou tentava validar seu diploma. Nestas ficou morando bom tempo em Fortaleza. Até brigaram, ela cobrava posicionamento, ele, homem, falava, calma mujer!!
Dias atrás ela me ligou, vou aí te ver. Chegou. então, disse, eu e o Sidnei resolvemos casar! Queria conversar prá saber se faz meu vestido, Só o vestido não, a roupa do noivo, e da mãe da noiva, da daminha e do damo!!! Ahh, Janaína. Uma honra fazer parte deste momento de vocês. Sabe que eu não vou, ? Não dá pra sair daqui. Vou te inventar mil desculpas, mas a verdade é que este é um momento meu de ficar recolhida. De ter medo de andar nas ruas. Queria demais estar num momento melhor para estar aí, pertinho , vendo a emoção e o amor transbordando em todo canto. Vendo enfim começarem uma etapa nova da vida.
Desejo, do fundo do meu coração e de minha alma, que seja linda a nova estrada. Com pedras ou sem, mas que sigam assim, de coração puro, carinhas risonhas e amor sincero! Mando meu carinho, meu amor, minha sincera paixão e votos de tudo de bom!
Vou sentir muito a falta. Mas queria também dizer que aqui existe uma outra parte da familia de vocês, quando quiserem, estarei sempre aqui. Para o que der e vier! Beijos e que
nos quatro cantos, só exista o bem e o amor!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Pato Preto

Isto também passa!
Frase que Chico Xavier mantinha escrita em uma moldura, acima de sua cama no seu quarto.
Amor e Carinho de uma de suas tres mães.
Voces são fortes e lindos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Amor e amizade

Veludinho teve um piripaco e morreu. Hoje.
Minha mãe me ligou avisando. Fiquei tão triste. Tão triste.
Ele chegou na casa de minha mãe, numa época meio estressante, quando meu pai tava muito doente. Alguém trouxe aquele cachorrinho invisível, que passou umas três semanas escondido debaixo de um fusca na garagem, saindo só à noite quando todos estavam dormindo, para comer e beber. Sabe´se la o que fizeram a ele para ter tanto pavor de gente! Quando deram conta de tirá-lo de seu esconderijo, a coisa tava preta. O bichinho era só carrapato. De todos os tamanhos e jeitos. Dó!!!
Meu irmão Bernardo foi tirando, tirando, tomou banho, vacina, e começou a dose terapêutica de amor, única coisa que ele não conhecia. Não sabemos quantos anos ele tinha. Meu pai tomou-se de paixão por ele, ensinando truques, como ficar de pezinho, ficar deitadinho. Nestes lindos olhos negros sempre tinha uma apelo, um afeto, um não sei o que que fazia a gente ter vontade de dar umas mordidinhas nele. Era pretinho como um veludo, por isto o nome. Algumas pessoas o chamaram pretinho, peludo,, mas ninguém ficou imune à sua carinha gostosa e seu jeitinho engraçado.
Quando meu pai morreu Veludo ficou sem comer. Até que descobrimos o segredo. Veludo comia ração por ração , em pé, das mãos dele. Tivemos que ensinar veludo a viver sem ele. Ele aprendeu e quando minha irmã voltou a morar com minha mãe, foi eleita por ele a sua querida. Onde ela estava ele ia. Deitava perto dela, vendo-a fazer artes, dando companhia e carinho. Ela o chamava de cãopanheiro!
Ô Dó!! Fiquei tão triste, deveras.
Tem cachorro que é muito mais gente, do que umas gentes que andam por aí!
Tomara que tenha mesmo um céu de cachorrinhos, onde ele possa continuar sendo amado. Ou quem sabe talvez, ele foi se encontrar com seu querido e verdadeiro dono?? Heinnnn????