sábado, 28 de agosto de 2010

Tinha uma pedra no meio do caminho


E quando eu pensava que não existia explicação para ainda estar aqui, leio Lydia Davis, dizendo assim:
Estou aprendendo que esse homem que brinca comigo é o mesmo homem sério que fala comigo sobre dinheiro e com tanta seriedade que nem parece mais que está me vendo, e também o homem paciente que me dá conselhos em momentos difíceis, e o homem zangado que bate a porta com força quando sai de casa. Muitas vezes desejei que o homem brincalhão fosse mais sério, que o homem sério fosse menos sério e que o homem paciente fosse mais brincalhão. Quanto ao homem zangado, ele é um estranho para mim e não sinto ser errado ter ódio dele.
Agora estou aprendendo que, se digo palavras ásperas para o homem zangado quando ele sai de casa,ao mesmo tempo estou magoando os outros, aqueles que que não quero magoar, o homem brincalhão que me caçoa, o homem sério que fala sobre dinheiro e o homem paciente que me dá conselhos. No entanto eu olho para o homem paciente, por exemplo, a quem quero acima de tudo proteger de palavras ásperas como as minhas e, embora eu me diga que é o mesmo homem que os outros, só consigo acreditar que falei aquelas palavras não para ele, mas sim para um outro, meu inimigo, que merecia toda minha raiva.

2 comentários:

Paola disse...

Vixe, Rita,
Vc andou xeretando pelo buraco da fechadiura? e resolveu me dar uma lição?
... ou éassim aqui, ai, em qualquer lugar? O q nos resta é aprender a cuidar bem do homem que nos protege, brincar bastante com o homem brincalhão e deixar o homem zangado no vácuo e esperar que ao voltar para casa ele venha acompanhado do homem apaixonado, disposto a conversar?
Ai... mesmo com 23 anos de convivência, eu ainda fico com muita raiva do homem zangado...

bj
PAola

Rita de Cássia disse...

E não é Paola?
Acho que em toda parte é igual.
Tem horas que a paciência fica pouca e o que queremos mesmo é um pai, bem velhinho e sábio, heheh.
Beijos