
Tenho que me lembrar de anotar coisas que quero contar, surgem momentos tão belos de minha vida, de minha familia, em minha memória, tenho que escrever prá não esquecer.
Como a festa do casamento de Galego. Quando Fatinha voltou a aparecer em nossa vida, desta vez para nunca mais sair.
Eu morava na Cidade Nova, em Belo Horizonte e tive uma crise com o Charles, braba. Juntei os terecos, todos, fotos, panelas e filhos (um fora e outro na barriga) e fui morar num barraco na Floresta, dois dedos de distância de Santa Tereza. Não sei porque, a rua se chamava Galba Veloso, que nem o hospital dos loucos. O barraco em questão não era mesmo um barraco, era uma casinha miúda, que um cómodo dava dentro do outro e o banheiro, mínimo, ficava fora de casa. Mas tinha quintal, pé de figo, goiaba, espinafre, canteiros e lugar para uma piscina Regam mil litros de plástico azul. Joguei o resto do forro de bambu no chão, pintei as paredes de branco, janelas e portas de azul colonial e comprei uma porta pro banheiro, que a outra era só metade, comida tinha sido pelos cupins. Um lugar gostoso e simpático. Ficávamos, eu , Rafael e minha barriga, sós e juntinhos ali naquele lugar mágico. Cantava prá eles, cantava prá mim e tentava forças para segurar a barra . Charles foi vindo, de mansinho, fazia visitas, trazia coisinhas, deixava coisinhas , ia e vinha e depois ficou para sempre. O apartamento da cidade Nova vendido e residência definitiva na Galba Veloso, a dois passos da Maternidade Santa Fé! Como toda vida, eu ficava em casa e não tinha muito contacto com vizinhos. Quando enfim minha barriga ficou tão enorme que já era hora do menino nascer, Mário, fui quase rolando prá Santa Fé, de onde saí dois dias depois como se nem tivesse parido, enorme fiquei nesta gravidez.
Cheguei em casa com Menininho novo lindo, dia seguinte resolvi que era hora de colocar uma cinta prá o corpo começar a voltar ao normal. Salvação! Quando a bicha apertou, começou uma hemorragia bravissima e voltei ao hospital onde fiquei quase quinze dias, com infecção pós parto que quase me levou embora deste mundo.
Então, toda esta lenga lenga é prá contar como conheci Fatinha.
Uma japonesa, filha de portuguesa, que morava na casinha de cima da minha, e que eu nunca nem tinha visto na minha vida. Lá estava eu no hospital, toda cheia de fios e agulhadas prá todo lado, quando me chega a figura, fazendo visita, contando que era a vizinha de cima, tinha uma filha, pererê, pereprê.... Fiquei meio surpresa. Afinal, pra´que a visita ? a gente nem se conhecia.... Bom, resumindo, saí do hospital depois daquele tempo, meio fraca, abalada, físico e emocionalmente, com Bebê lindo ,gordinho, chorão prá tomar conta.
D e Vizinha viramos amigas, confidentes, irmãs. Comadres não porque nossos filhos todos já tinham nascido.
Tempos depois fiquei sabendo que: Odete, a portuguesa mãe de Fatinha, tinha mandado a moça me visitar no hospital com o seguinte argumento e sotaque.
-Fatema! A vizinha do lado tá que morre não morre. Vai llá, antes que algo aconteça!!!!!!!!!
Isto tudo eu lembrei quando lembrei do casamento de Galego.
Tinha um tempão que a gente não se via. Eu e Fatinha mudamos cada uma prum lado e nunca mais que nos encontramos, apesar de sempre sabermos noticias uma da outra. Naquele dia da festa de despedida de solteiro de Galego, Rosinha tinha encontrado com Fatinha e pegamos o telefone e ela veio. Veio mesmo! Prá ficar. Tomou umas, deu uns beijos fim-de-noite em Bernardo, disse que estava querendo é viver sozinha que não queria mais relacionamentos e papapá, pepepé, estão juntos até hj.!!!! Gostam de fazer caminhada domingo 6 da manhã, viajar no verão prá sul da Bahia, trabalhar juntos....
Enfim, destino é coisa muito louca!
Quando nasceu minha neta Luiza, nos tornamos comadres. assim, quase, porque é a madrinha de Luiza. E somos da mesma familia de amor.
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